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Governo e UNITA asseguram estabilidade política na campanha eleitoral
O mecanismo bilateral de concertação política Governo/ UNITA, esteve reunido na capital angolana, no dia 24 de Julho corrente, para analisar os últimos desenvolvimentos da vida política do país, com destaque para a estabilidade política na fase da campanha eleitoral. No encontro solicitado pela UNITA, as duas delegações chegaram a conclusão que o diálogo permanente entre os principais actores da política nacional (MPLA e UNITA) deve prevalecer. Este espírito foi reafirmado a saída do encontro pelos porta-vozes das duas delegações respectivamente, Adalberto Costa Júnior da UNITA e Norberto dos Santos “ Kwata Kanawa” da delegação do governo. Falando à imprensa o porta-voz da UNITA, Adalberto Costa Júnior, disse que o encontro serviu para o seu Partido apresentar algumas inquietações, resultantes dos últimos pronunciamentos do líder da Bancada parlamentar do MPLA, Bornito de Sousa, proferidas na sessão que marcou o encerramento do ano legislativo da Assembleia Nacional, segundo as quais a UNITA tinha de vir à público assegurar que não voltará a guerra caso perca as eleições legislativas aprazadas para o dia 5 de Setembro de 2008. Segundo Adalberto Costa Júnior, a transição para as eleições deve ser feita num quadro de maior estabilidade possível, diálogo e confiança. “ Nós entendemos que tínhamos algumas matérias de preocupação que foram trazidas nesta reunião, muito em particular questões ligadas por exemplo, a última intervenção feita pelo líder parlamentar do MPLA, na Assembleia Nacional, onde deixou um repto que a UNITA não entendeu e não gostou, e que, pedimos aqui algumas explicações sobre esta matéria já que, nós precisamos um clima de estabilidade, e queremos efectivamente uma transição absoluta garantida”, sublinhou o político do Galo Negro. O porta-voz da UNITA salientou que o seu Partido recebeu da delegação do governo informações segundo as quais, “ não havia justificativos para este tipo de reptos”, já que segundo aflorou o dirigente, “ a UNITA é um parceiro deste processo de paz e reconciliação nacional e não precisa de vir sobre repto de ninguém trazer garantias algumas”, defendeu. “ Nós vamos continuar a caminhar, esperando que o processo que nos leva até as eleições seja efectivamente um processo com garantias que possamos ver esbater a utilização das autoridades tradicionais em termos daquilo que é a limitação do pluralismo democrático. Temos tido muitos problemas no país, de muita violência no interior, problemas que devem ser resolvidos por nós todos”, defendeu. Adalberto Costa Júnior é de opinião de que os ventos que nos últimos tempos se vêem batendo em África nos processos eleitorais, com destaque aos processos eleitorais do Quénia e do Zimbabwe, devem servir de lição. “ Há uma efectiva preocupação de nós termos em Angola, uma repetição com este tipo de quadro com limitação de liberdades. Tudo depende de nós líderes políticos e neste mecanismo se nós podermos trazer uma capacidade de diálogo e um exemplo de comportamento cívico ao cidadão, isso transmitirá uma atitude de respeito a diferença”, justificou. Por seu turno o porta-voz da delegação governamental ao encontro, Norberto dos Santos “Kwata Kanawa”, reafirmou que o mecanismo bilateral era o local ideal para as duas partes (MPLA e a UNITA) trocarem impressões sobre preocupações que os apoquentam. “ Foram colocadas nesta reunião algumas preocupações e nós anotamos, vamos estudar e apreciar e na próxima reunião teremos condições de debatermos e aprofundarmos estas preocupações”, aventou. Norberto dos Santos “Kwata Kanawa” não tem dúvidas que o importante é reter e compreender que a vontade de todos em ver que todo processo e principalmente a entrar no período de campanhas eleitorais, ter sempre presente que este período da campanha até a realização das eleições seja um período onde por um lado devemos transmitir a confiança, bem como a necessidade de mantemo-la”, defendeu. O porta-voz do Governo concorda com a opinião segundo a qual a estabilidade interessa os angolanos “ para fazermos com que o nosso país possa continuar na marcha em que está”, já que para o político, Angola não termina no dia das eleições. “ É apenas um dia em que, de acordo com as regras democráticas, os angolanos vão ter a possibilidade de exercer o seu direito de voto. Devemos evitar que se introduzam neste processo, elementos perturbadores que possam de qualquer maneira criar algum mal-estar, e quando assim for, o importante é que tenhamos sempre a disponibilidade de sabermos o que se passou e tirarmos as dúvidas, assim como mantermos esta harmonia para que possamos transmitir aos angolanos e não só, a credibilidade de todo este processo e a garantia de que o mesmo vai decorrer da forma que queremos ”, augurou o político do MPLA. Vale referir que a reunião também abordou o processo do “eventual” encerramento da Rádio Despertar, tendo na ocasião a UNITA recebido explicações do governo de que a situação está a ser tratada pelo ministério das Telecomunicações e que acredita-se que dentro de poucos dias terá um desfecho harmonioso. Recorde-se que o mecanismo bilateral tem regularidade de reunir uma vez por mês e é ponto assente que antes das eleições legislativas aprazadas para 5 de Setembro de 2008, voltará a reunir. A delegação do governo foi chefiada pelo General Higino Lopes Carneiro enquanto da UNITA, foi encabeçada pelo seu vice-presidente, Engenheiro Ernesto Mulato. |
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