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A FNLA arranca com a sua Conferência Nacional, conducente às eleições, mesmo sem o acesso aos seus fundos públicos e os adeptos dos constestários do seu novo líder.
Os dois constrangimentos evidenciaram-se hoje no “Cine São João” em Luanda, local do encontro, preenchido somente a metade pelos cerca de 500 delegados presentes, exaltando quase histérico e profusamente o seu apoio à liderança de Kabangu.
O próprio discurso de abertura do presidente eleito em Novembro passado, Ngola Kabangu, sublinhou esta adversidade, exortando os seus opositores, Lucas Ngonda e Carilnho Zassala, à razão.
«Retornando aos equívocos internos, queria (…) lançar um veemente apelo a todos os Dirigentes, Quadros, Militantes e Simpatizantes que ainda se encontram distanciados do Partido para reconsiderarem o momento que vivemos e se unam aos seus irmãos e juntos levemos avante a árdua tarefa de preparar o nosso histórico e glorioso Partido para a sua plena participação nas eleições legislativas de 2008, com a visão de vitória. Este apelo vem do fundo do coração e é feito igualmente em nome de todos heróis tombados e muito especialmente no do inesquecível YEMBE», asseverou Kabangu.
A assembleia, explicou, durará dois dias, com a agenda preenchida pela definição do “Projecto de Sociedade” ou programa governamental dos irmãos e a sua estratégia eleitoral.
Cessar de brincar às escondidas
Fará, também, o ponto da situação sobre o processo dos requisitos administrativos constantes da lei eleitoral para o registo formal do partido à competição.
«Devemos cessar de brincar às escondidas porque o Povo Angolano há 16 anos que espera por eleições livres, justas e transparentes», declarou o sucessor de Holden Roberto.
A passagem quis vincar a sua oposição ao projecto do MPLA de alterar a lei eleitoral, de forma a dilatar o prazo do sufrágio de um dia para dois, projecto endossado pela Comissão Nacional Eleitoral (CNE).
Que a CNE, acrescentou, «não extravase as suas competências fazendo sugestões à Assembleia Nacional que vão no sentido de baralhar ainda mais um processo eleitoral que já manifesta algumas lacunas».
Entre as lacunas, deplorou «os entraves administrativos e policiais» que a sua formação tem sofrido, destacando uma recente ocorrida na província do Kuanza-Sul.
Na mesma esteira, condenou «a instauração de processos judiciais e disciplinares pouco claros» contra os jornalistas Ernesto Bartolomeu, William Tonet e Graça Campos.
«Temos afirmado bastantes vezes que as eleições só serão livres, justas e democráticas, se o processo for credível, transparente e de concorrência leal», recordou.
Carlitos Roberto, Lunnugu, Miguel Damião
Os trabalhos contam com uma escassa representação provincial e da díaspora, atribuída ao persistente bloqueio dos subsídios públicos da organização.
A diáspora da França delegou Carlitos Roberto, órfão do malogrado Holden, e o professor Lunungu, figura que andou encostada a dada altura a Lucas Ngonda.
Presença confirmada, também, de Miguel Damião, competidor infeliz à sucessão de Holden em Novembro passado, que demonstra uma postura própria, desmentindo a alegada aliança com Ngonda e Zassala.
Ainda não foi possível registar a reacção dos dois últimos, o que poderá acontecer numa próxima edição.
Tendência Presidencial formaliza candidatura para as eleições legislativas
Luanda, 27/06 - A União de Tendência Presidencial de Angola (Coligação-UTPA) formalizou hoje (sexta-feira), em Luanda, a sua candidatura para as próximas eleições legislativas, fazendo a entrega das 15 mil assinaturas ao Tribunal Constitucional.
A informação foi prestada à Angop pelo presidente desta coligação, João Domingos Simão, para quem a UTPA tem criadas todas as condições para participar no próximo pleito, convocado para 5 de Setembro do corrente ano.
Segundo ele, uma vez formalizada a candidatura, a coligação irá intensificar os seus trabalhos de mobilização, "passando de porta a porta e em locais públicos" para dar a conhecer aos potenciais eleitores o seu programa de governo.
"Vamos agora criar a equipa encarregue da campanha eleitoral", explicou o político, para quem neste pleito a União de Tendência concorrerá e nas presidenciais apoiará o candidato do MPLA, neste momento José Eduardo dos Santos.
Desde a sua fundação, frisou João Domingos Simão, a UTPA apoiou o candidato do MPLA por reconhecer os esforços deste na conquista da paz, melhoria das condições de vida dos angolanos, desenvolvimento do país e no processo de reconciliação nacional.
Para ele, é necessário reconhecer aquelas pessoas que ao longo dos anos têm trabalhado para o bem-estar do país, incluindo a manutenção da sua integridade territorial.
Relativamente as assinaturas entregues ao Tribunal Constitucional, disse resultar de um intenso trabalho político-partidário, que iniciou há 11 anos nas mais distintas províncias de Angola.
Existente desde 11 de Julho de
Nas eleições legislativas, a coligação se fará presente com os partidos da Salvação Nacional e Democrático Angolano, que já possuem os requisitos para tal
Fracassada tentativa de reunificação do Partido de Renovação Social
Luanda, 27/06 – A tentativa de unificação do Partido de Renovação Social, em conflito há mais de nove anos, não teve exitos devido a ausência, hoje, quarta-feira, numa conferência, da ala liderada por Eduardo Kwangana.
Em declarações à Angop, o secretário para a informação do partido (ala António João Machicungo), Lindo Bernardo Tito, disse que o mais importante já foi feito que é a criação da comissão de reunificação para pôr fim aos antagonismos existentes há nove anos.
Segundo o secretário, houve contactos com as autoridades religiosas e tradicionais, mas mesmo assim o conselho político afastou-se.
“Trazemos a parte que está disponível para unificar o partido porque não temos mais tempo a perder, e com este acto acredito que o Tribunal Constitucional irá reconhecer e legitimar para que concorramos ás eleições, tendo como presidente do partido António João Machicungo”, sublinhou.
A crise se estalou em 1999, na sequência da expulsão, do seu Congresso, de António João Muachicungo (concorrente à liderança, frente a Eduardo Kwangana), Domingos Tunga e Jaime António Chinguimbo, por alegado desvio aos Estatutos.
António Muachicungo proclamou-se então presidente do partido, com o argumento de ter sido o único candidato legalmente inscrito na Comissão Nacional (CN) preparatória do evento, para o cargo.
Despoletou a impugnação da eleição de Eduardo Kwangana, por alegada desobediência às normas deliberadas pela CN do PRS e a sua linha política, ao mesmo tempo que considerou ilegítimo o conclave (ao qual participaram cerca de 200 delegados).
Desde a data, o terceiro partido mais votado no pleito de 1992, com seis assentos, atrás do MPLA (129) e da UNITA (70), enfrenta uma crise interna, cada vez mais a aprofundar-se.
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