Polícia económica aperta o cerco aos comerciantes que não são do MPLA

A polícia económica cercou todas as iniciativas comerciais dos cidadãos que tenham simpatia ou que se identifiquem com a oposição na provincial do Kwanza-sul. O caso mais recente é do cidadão Relógio António Sikana que encontra interferências constantes na sua actividade farmacêutica.

No kwanza-sul tem sido frequente tais práticas da polícia económica contra os pequenos comerciantes e sobretudo os militantes e simpatizantes da UNITA. Por exemplo no Município do Libolo, Gomes Navio foi obrigado a fechar o seu posto de saúde privado, tudo porque não se passou para o MPLA.

A perseguição continua, variando apenas na forma. Desta vez a polícia económica na impossibilidade de não haver razões para entravar a actividade do cidadão Relógio António Sikana, optou por questionar a idoneidade dos certificados profissionais dos enfermeiros da UNITA inseridos no ministério da saúde através do memorando do Luena e de acordos complementar de Bicesse.
“Fizeram-me uma notificação para apresentar o certificado profissional. Foi apresentá-lo e disseram-me para voltar as 16 horas do dia 16 de Agosto. Quando voltei para lá disseram-me que tinham apreendido o certificado, porque era passado pela UNITA.” Diz o nosso interlocutor que falava à nossa reportagem, nesta terça-feira 24.

“No interrogatório a que fomos alvos, minha esposa e eu, questionaram-me se era enfermeiro desde quando, porquê que o certificado que exibo foi passado pelo partido? Como é que entrei na função pública? Como é que esses certificados foram admitidos entrar na função pública? Como é que és enfermeiro desde 1990 e os certificados são de 2008? Se nenhum partido forma quadros como é que o partido tem competência de passar esse certificado? Quem recebeu esse certificado quando ingressou na saúde?” denuncia.

Mais adiante afirma que de todo interrogatório dirigido a ele, sua resposta foi em como aquando da assinatura dos acordos de paz houve compromissos de parte a parte, sendo que de entre vários, o governo se ter comprometido em inserir os quadros da UNITA na polícia, no exército, na educação e saúde.

“Não estou em condições de desfazer aquilo que foi ratificado pelo presidente da república” desafia Relógio António Sikana, para quem não é concebível que uma outra entidade que não formou o quadro certifique a sua profissão. “Só vejo lógica em o governo ter acordado que a UNITA certificasse seus quadros que durante anos e anos mantiveram a saúde saudável das populações em áreas por si controladas anteriormente”, sublinha.

Fontes posicionadas na secção de crimes da polícia económica adiantam que para o desfecho desta novela de exclusão, ainda foram ouvidos os senhores Caiongo ex – director dos recursos humanos, José Maria, ex – delegado provincial da Saúde, ambos já na sua reforma, tal como reza a lei, e Domingos Orlando Kaliata responsável pela reinserção social de quadros da UNITA na função pública.

Em declarações à secção de crimes da polícia económica, o antigo director dos recursos humanos confirmou ter recebido tantos quadros no quadro das orientações do governo para inserção desses cidadãos encontrando-se a prestar valioso serviço ao estado.