Convocada manifestação para 7 de Março em Angola "para reivindicar mais liberdade"

A manifestação convocada para Luanda, no próximo dia 07, "é para reivindicar mais liberdade" e "ver qual será a reação" das autoridades angolanas, disse hoje à Lusa Dias Chilola, um dos organizadores da iniciativa. Por outro lado, um responsável provincial do MPLA, partido no poder em Angola, anunciou uma "marcha patriótica", a decorrer no sábado, juntando dois milhões de pessoas em apoio ao Presidente José Eduardo dos Santos.

"A manifestação é para as pessoas se habituarem a manifestarem-se no sentido de exporem as suas necessidades e também para mostrar que querem liberdade. É só isso que nós queremos", disse.

As redes sociais, SMS e sítios na Internet têm sido nos últimos dias os veículos para o anúncio de uma manifestação, convocada por alguém que escolheu o pseudónimo Agostinho Jonas Roberto dos Santos - que junta os nomes de Agostinho Neto, primeiro Presidente de Angola, Jonas Savimbi, líder histórico da UNITA, Holden Roberto, líder histórico da FNLA (já falecidos) e do atual Presidente angolano, José Eduardo dos Santos.

Protesto contra o Presidente

O cartaz de anúncio da iniciativa, que está a ser distribuído através da Internet, apela a uma "Manifestação Contra a Ditadura Joseduardizada. Angola diz basta. 32 anos de tirania e má governação".

"O pedido (de autorização) foi feito para a manifestação para o dia 07 e eles (Governo Provincial de Luanda) não disseram nada em contrário. As pessoas estão habituadas a viver com medo. Obviamente que estão com um pé atrás. Mas vamos experimentar e depois veremos as consequências", acrescentou.

"Não vamos reivindicar coisas impossíveis. Só queremos reivindicar mais liberdade", disse Dias Chilola, garantindo que a manifestação será pacífica: "A reação depois se verá, mas sempre está fora de questão recorrer à violência. Não, isso está fora, independentemente da reação que a polícia tiver, a manifestação continuará a ser pacífica".

Se a adesão popular for um fracasso, Dias Chilola responde que "serão tiradas ilações".

"Nós tiraremos as nossas ilações também. Nós não somos maníacos. Nós somos indivíduos que temos feito a leitura da situação do nosso país e temos visto que há carência no sentido da sociedade civil intervir mais", referiu.

"Portanto, a manifestação é para as pessoas se habituarem a manifestarem-se no sentido de exporem as suas necessidades e também para mostrar que querem liberdade. É só isso que nós queremos", disse.

Nascido há 45 anos no Bié, e radicado há 16 em Portugal, embora tenha viajado neste período para Angola em várias ocasiões, Dias Chilola apresenta-se como "cidadão angolano" e como "um como muito outros que quer ter uma palavra a dizer no futuro do seu país", escusando-se a detalhar eventuais ligações partidárias, nomeadamente à UNITA, o maior partido de oposição em Angola.

Instado a comparar a contestação popular nalguns países árabes que conduziu ao derrube de regimes e a manifestação de 07 de março, Dias Chilola destaca as diferenças.

"A situação de Angola é muito complexa. É muito diferente. Nós não estamos a lidar com o Egito, por exemplo, onde as massas populacionais têm um nível de educação muito alto. Nós estamos a lidar com uma situação de pessoas que ainda sofrem os efeitos da guerra (civil angolana)", considerou.

"(As massas populacionais) estão 'stressadas', então é uma maneira de nós tentarmos saber como é que a população, os angolanos vão reagir. É quase um tiro no escuro, mas é preciso fazer alguma coisa. Queremos sentir a pulsação da sociedade angolana, como é que vai reagir a uma situação dessas", concluiu.

"Marcha patriótica" de apoio a Eduardo dos Santos

Um responsável provincial do MPLA, partido no poder em Angola, anunciou hoje uma "marcha patriótica", a decorrer no sábado, juntando dois milhões de pessoas em apoio ao Presidente José Eduardo dos Santos.

O anúncio feito hoje na capital angolana pelo secretário provincial de Luanda do MPLA, Bento Bento - e, segue-se à convocatória, que anda a circular na Internet, da manifestação para o dia 07 de março contra o Governo angolano.

Bento Bento disse hoje que um grupo de angolanos apoiados por países estrangeiros, incluindo Portugal, colocaram em marcha um plano contra a República de Angola e contra José Eduardo dos Santos.

"Na sequência do que esta a acontecer nos países árabes, Egito, Tunísia e agora a Líbia, um grupo de angolanos que se dizem 'mãos limpas', os melhores, os mais patriotas, com apoio de alguns grupos de pressão de alguns países, nomeadamente Portugal, França, Itália, Bélgica e alguns setores ligados à Grã-Bretanha e Alemanha, puseram em marcha um plano contra a República de Angola contra o MPLA e principalmente contra o Presidente José Eduardo dos Santos", declarou Bento Bento.