Faustino Muteka «CONTRA» Paulo Kassoma

mutekassomaHUAMBO - Por síndroma «anti-kassoma»outro motivo qualquer, o governadoo Huambo resolveu desfazer-se em massa dos membros da equipa Constituída ainda ao tempo do actual presidente da AN, cujo trabalho ermitiu ao «maioritário» a folgada tória nas últimas legislativas, num bastião que não era propriamente seu. Em consequência, um dos exonerados, por sinal, membro do CC do «Ême», apanhou um AVC, do qual dificilmente sobreviverá. Neste andar,é bem provável que não se repita a «cabazada» dada ao Galo Negro em 2008…

Armando Capunda, 1.º Secretário Municipal do Huambo do MPLA encontra-se em coma no Hospital Provincial, vítima de um AVC, depois de ter sido exonerado de forma algo rocambo-lesca das funções de Administrador Municipal do Huambo, pelo Governador Provincial, Faustino Muteka.

Capunda, um bacharel em Direito, foi exonerado por volta das 12.30 de (…) depois de ter trabalhado de manhã no seu gabinete, sem nada saber.

Às 14.30 do mesmo dia, tomava posse o seu substituto, Marcelino de Melo, até então seu adjunto, e, segundo fontes locais que preferiram o anonimato, no dia seguinte, às 7.30, o próprio Governador orientava a entrega de pastas.

Segundo essas fontes, o «velho Capunda», como também é conhecido, não resistiu ao que considerou uma humilhação e às 11.00 do mesmo dia contraía um AVC, que, ainda de acordo com as informações disponíveis, poderá custar-lhe a vida. «Pode ser que, quando o vosso jornal sair, no sábado, já ele não esteja em vida», asseveram as fontes que temos vindo a citar.

Armando Capunda é apenas uma das dez exonerações efectuadas pelo Governador Muteka desde que assumiu as rédeas da Província do Huambo, há pouco mais de um ano, o que tem causado uma certa estranheza da parte da sociedade local pelo facto das demissões visarem os mesmos quadros que protagonizaram o que foi considerado pelo

próprio Presidente José Eduardo dos Santos uma das maiores proezas governativas dos últimos tempos.

Até agora, já foram exonerados, para além dele, Emília Mendonça, jurista, ex Administradora Adjunta do Huambo e ex Directora Provincial da Comunicação Social, Joaquim Neves, jornalista formado na Universidade de Havana e um dos dois únicos técnicos superiores de Comunicação Social que a Província possui, apeado da directoria de Comunicação Social, Bernardo Suka, outro técnico superior que geria a Juventude e Desportos, Felisberto Moma, da Educação, Mariano Paulo, das Finanças, o Dr. Chicoa, do Hospital Provincial, e Paulino Máquina, de Assessor do Governador.

Manuel Diogo, um experiente gestor sénior recentemente cooptado do Conselho de Ministros para Secretário-geral, também se viu apeado do lugar, menos de um ano depois da sua nomeação, assim como Faustino Tchandja, um recém-formado em Comunicação Social, que exercia as funções de chefe do CDI.

O que causa mais estranheza aos «think-tankers» locais, segundo várias fontes que contactaram este jornal, é que a totalidade dos exonerados está até agora sem colocação, num país onde os técnicos superiores contam-se pelos dedos das mãos, mais a mais nas províncias do interior. «Parece haver uma vontade clara de esquecer que é a estes quadros, liderados pelo actual Presidente da Assembleia Nacional, que o Chefe de Estado se referia quando disse que ‘aqui no Huambo há trabalho’», ressalta um dos descontentes.

Esta estranheza acentua-se mais quando grande parte dos recém nomeados não possui ou não concluiu o curso superior – requisito obrigatório actualmente para o exercício dos mais altos cargos provinciais – como se pode ver na caixa.

Mas o que está a causar uma verdadeira polvorosa surda, sobretudo no seio dos militantes do MPLA, segundo as fontes que vimos citando, é que eles questionam vivamente a militância dos actuais nomeados no seu Partido.

«Nunca os vimos nos comités de acção e muito menos nas actividades do Partido nos momentos mais difíceis. Aliás, muitos deles foram militantes e dirigentes activos da UNITA em 92 e durante os dois anos que o Galo Negro ocupou o Huambo.

Nunca os ouvimos dizer publicamente que aderiram ao MPLA e agora de repente vemo-los deputados, membros do CC, assumindo agora as rédeas da província.

Assim, não sei se nas próximas eleições teremos mais os 5-0 que ganhámos em 2008», salienta outra das fontes que igualmente pediu o anonimato com receio de represálias.

Acusam por isso o Governador de olhar mais para os laços familiares que para a competência e a confiança política. «Não é possível o Governador saber que o primo a quem nomeou seu assessor foi um dos dirigentes da UNITA que até perseguiu membros do MPLA durante a ocupação e que só não sofreu depois represálias porque o camarada Paulo Kassoma não deixava», assevera amargurada uma das fontes. «Hoje, a mulher dele é Deputada pela OMA, onde quase nunca punha os pés, a irmã é membro do CC do MPLA e o marido da sobrinha acaba de ser nomeado Director

da Educação. Será que a direcção do MPLA em Luanda não está a ver que assim o nosso Partido vai perder o Huambo? Olhe que a UNITA não dorme e eu se fosse eles faria isso mesmo: desestabilizar os quadros que mobilizam a população como forma de recuperar pelo menos parte do terreno perdido», remata.