Polícia detém dezenas de manifestantes em Luanda

manifestacoes1.jpgLuanda – Os efectivos da Unidade Operativa de Luanda da Polícia Nacional, órgão afecto ao Comandando Provincial de Luanda (CPL), voltaram a reprimir – mais uma vez de forma desumana.

Centenas de jovens e não só, que afluíram o local de concentração (frente a agência do BFA), no bairro de São Paulo, localizado no distrito de Sambizanga, para se manifestarem contra as irregularidades cometida pelo Tribunal Constitucional, e contra os membros do Comité Central do MPLA, José Eduardo dos Santos (cabeça de lista) e Bento dos Santos “Kangamba”, candidato à deputado.

Até ao presente momento, os agentes da polícia detiveram várias pessoas nomeadamente, Mário Domingos (um dos organizadores do MRE), Coque Mukuta, Nfuka Muzemba (secretário geral da JURA, abraço juvenil da UNITA), Rosa Mendes (filha do presidente do Partido Popular David Mendes), Isaac Manuel (repórter da RTP África), Celso entre outros cujos nomes estão ainda por apurar.

Circulam ainda informações que cerca de quatro meios-rolantes de marca Toyota Hiace que traziam consigo militantes da coligação Nova Democracia,  foram detidas pelos agentes da polícia nos arredores de Coca Cola (viam em direcção a paragem da cervejeira Cuca). “Os agentes da polícia confundiram os militantes da Nova Democracia. Eles pensaram que eles vieram também participar na manifestação”, comentou uma das testemunhas no local. 

 De recordar que o Movimento Revolucionário Estudantil (MRE) convocou para este sábado, 14, mais uma manifestação contra a candidatura do Presidente da República, José Eduardo dos Santos, para as eleições gerais de 31 de Agosto, e do candidato a deputado do MPLA, o empresário Bento Kangamba, este último por violar alguns artigos da actual Constituição.

A par isso, os manifestantes previam ainda exigir explicações sobre o paradeiro de Isaías Kassule e Alves Kamulingue, raptados pela polícia no passado dia 27 de Maio do corrente, quando tentavam organizar uma manifestação de antigos combatentes. Apesar da polícia argumentar que está a investigar os raptos, não tendo até agora adiantado quaisquer explicações adicionais.

Os mesmos previam também exigir a libertação dos ex-militares que foram detidos nas sequências das recentes manifestações desencadeadas pelos antigos combatentes nos passados dias 07 e 20 de Junho. "Vamos fazer a manifestação para exigir a libertação dos 28 que ainda estão detidos e dizer ao Tribunal Constitucional que José Eduardo dos Santos não deve ser autorizado a concorrer, pela má governação dos 33 anos (a completar em Setembro) que leva no poder sem nunca ter sido eleito", frisou Mário Domingos há dois dias atrás.

Para a realização desta actividade, os membros da MRE deram a conhecer as autoridades competentes nomeadamente Governo Provincial de Luanda e o Comando Geral da Polícia Nacional (no dia 3). A par isto, os organizadores enviaram missivas informativas do que pretendiam realizar às embaixadas dos Estados Unidos de América, França e Alemanha e à representação da União Europeia.

Os manifestantes pretendiam, caso não fossem impedidos pela polícia, começar a concentrar-se a partir das 09:00, frente a agência BFA, adjacente do Cine São Paulo e o protesto deverá seguir em marcha até ao Largo da Maianga, perto do Tribunal Constitucional, na entrada da Cidade Alta, onde está sediada a Presidência da República.
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MPDA